Puta, eu?

Lembro de um dia em que minha mãe passou pimenta na minha língua. Naquele dia eu tinha aprendido uma palavra nova. Na verdade um palavrão. Meu pai quando soube ficou puto. Mandou-me procurar no “pai dos burros” o significado daquela palavra. Para nossa supressa ela não estava lá. Imaginei que por ser tão terrível, o responsável pelo dicionário teve vergonha de colocar tal palavra ali.
Os tempos mudaram. E os significados também. Lá no começo, na etimologia da palavra, puta era uma deusa da agricultura e suas sarcedotisas a celebravam em um bacanal sagrado. Depois puta virou puta mesmo, como naquela época em que mãe colocava pimenta na língua dos filhos. Hoje qualquer um que passe meia hora com um bando de adolescentes vai ouvir essa palavra em 5 de cada 10 cuspidas de suas bocas e mais outros 4 impropérios. Mas a coisa não é tão ruim assim.
Outro dia um aluno disse que eu dei uma puta aula. Que elogio! Uma puta aula. Fiquei pensando naquilo. Era uma aula em escola pública, então o aluno na estava pagando nada. E eu era uma puta que não cobrava. Não. Os significados mudaram. Como mudaram as pessoas e suas linguagens. Hoje não nos aprofundamos nos assuntos, tudo é muito superficial. Quase ninguém dessa geração sabe ou quer saber mais do que o necessário para sobreviver. Mas puta merda! Que grande coisa se fez nessas épocas. Puta é uma coisa boa afinal. Puta é bom! É como uma das minhas aulas (a minoria, devo dizer): uma puta aula!

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