Secando as idéias


Todo dia é a mesma coisa. Não posso entrar no banho que as idéias vem com a água. Fico imaginado milhões de pessoas pensando e essas idéias volatizando, evaporando, para logo em seguida se misturar com as nuvens, condensando-se, sintetizando-se. A seguir caem em garoas ou tempestades, penetram a terra, correm aos rios, são captadas, tratadas, encanadas e sai quentinha no meu chuveiro.
Uma fração daquilo que foi pensado. Uma ansiedade.
Todo dia a mesma coisa. Muitas idéias de como resolver os problemas do mundo e os meus. Principalmente os meus. Logo estou feliz, contente e cheio de esperança. Agora vai! Vou escrever aquele livro, vou entrar em forma, aquele artigo que está incipiente na minha cabeça, preparar aquela aula, aprender inglês, violão, a escrever! Agora vai!
Inebriado com todos esses pensamentos desligo o chuveiro, a água para e junto com ela o fluxo criativo. Tenho que ser rápido, registrar isso de alguma forma.

Enquato vou me secando, as idéias vão grudando na toalha, roubadas de mim, logo o som do cotidiano invade meus ouvidos, enrolo a toalha na cintura e saio do banheiro. Lá no ralo do chuveiro, 80% do que pensei, na toalha 15%, o cotidiano sequestra outros 4%, e nesse post o 1% que sobrou.

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