O dia seguinte
No dia seguinte, sentados à mesa do café, não trocaram cumprimentos. Estavam surdos e mudos. Viam com certeza, um ao outro, mas não queriam se falar.
A noite começou como uma promessa de felicidade. As esperanças e as fantasias borbulhavam com o pôr do sol e cresciam exponencialmente com a noite. As luzes davam as coisas da cidade ares de virtualidade. A ilusão estava presente em todas as esquinas. O cinza do dia ganhava novas e várias cores elétricas. As vitrines refletiam a fantasia do momento. Tudo era cor e esperança.
As pessoas naquele lugar tinham cores bonitas. Sorrisos, peles, cabelos, roupas. Cores matizadas. Tudo. Fantasticamente acolhedor e excitante. E sons alucinantes. Delírio dos sentidos.
O melhor lugar para estar naquele momento era ali. E eles estavam. Com seus corpos produzidos, criados pelas exigências da sociedade, guiados pelas revistas da moda. Prontos e bonitos. Sorrisos, olhares, carícias, sedução!
O melhor lugar para se estar. Prazeres da noite. A conquista, o charme, o convite, o consentimento. Os prazeres do corpo. O toque, o beijo, a pressão, o ritmo. O melhor lugar para se estar. E eles estavam.
Agora o dia surgia. O cinza renascia. As cores morriam.
Sentados à mesa do café. Sem nomes. Só corpos. No dia seguinte.
Êsses mini contos podem ser publicados em várias revistas.Temos revistas que compram.Procure Editora Abril e ofereça.Pagam uma boa grana.
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