Orkut
Encontraram-se novamente 20 anos depois. Pelo Orkut. Participavam da mesma comunidade: “Um livro e um café”. Tinham se conhecido na escola e começaram a namorar. Ela acabara de sair de um relacionamento. Ele nunca tivera uma namorada, ou melhor, nada realmente sério. Estava aprendendo a conhecer as mulheres, suas manias, suas sutilezas. Ela foi o primeiro amor dele. Ele era o terceiro dela.
Porque mesmo haviam terminado? Ele estava muito apaixonado, queria casar. Ela tinha outros planos. Conhecer outras pessoas, outros lugares, coisas diferentes, não queria criar raízes. Foi ela que terminou. Ligou para ele e terminou o namoro. Ele segurou o choro. Nunca chorou por aquele amor.
Agora ela estava ali, fazendo com que ele lembrasse desse amor. De como começou, como foi e como terminou. Lágrimas ensaiaram nos seus olhos, mas ele segurou.
Pelo Orkut trocaram informações. Ela tinha mudado muito, não era mais a menina linda que ele se lembrava. Ela havia se casado e tinha um casal de filhos agora. Morava na mesma cidade onde estudaram. Também se formara advogada, mas não exercia. Para passar o tempo pintava telas, lia livros e se distraia no Orkut.
Ele também se casou, também tinha um casal de filhos. Tinha um emprego que o obrigava a viajar muito. Várias reuniões nas filiais da empresa espalhada pelo Brasil. Era engenheiro. Mas sonhava ser marceneiro, ter um sítio e pescar todo dia.
Durante um tempo trocaram recados, mas aos poucos foram deixando de escrever um para o outro. Suas vidas não tinham mais nada em comum e ele se deu conta que nunca teve. Nem 20 anos atrás, nem agora.
Então ele chorou. Chorou pela morte de um amor adolescente. Chorou pelo seu primeiro amor. Chorou por um amor que agora podia sepultar.
Rapaz,lendo estas histórias tuas, me inspirei e logo, logo vou fazer uma, sobre um cara tudo-a-ver com educação física, mas sonha mesmo em ver seu nome estampado na capa de um belo livro exposto nas maiores livrarias do País.
ResponderExcluirAbraços e parabéns.
Lindo conto meu sobrinho, creio que escrever está no sangue, parece que teu pai,quando adolescente gostava de uns rabiscos, pois cheguei a ler muitos dêles.Gostaria de ter um pouco dessa tua inspiração tão letal.Parabens
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