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Mostrando postagens de maio, 2009

É proibido proibir

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"Quando sai em defesa da farra aérea, como acaba de fazer, o presidente mostra que entende muito bem como funciona o Brasil. O que não quer é mudá-lo" Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fosse médico, em vez de político, faria grande sucesso como anestesista. Por que não? De todas as coisas que sabe fazer, na carreira de homem público pela qual optou, poucas se comparam à sua capacidade de adormecer qualquer problema que lhe apareça pela frente – sobretudo quando o problema é a denúncia de alguma safadeza no mundo que gira ao seu redor. O presidente, nesses casos, não varia nunca. Desde a primeira trovoada para valer de seu governo, em fevereiro de 2004, quando foi divulgado que o companheiro Waldomiro Diniz, funcionário graduado do Palácio do Planalto, havia sido flagrado pedindo dinheiro a um empresário da indústria de jogos de azar, sempre diz que não aconteceu nada de mais. A atitude de negar o erro, em vez de tentar curá-lo, funciona como um sedativo que vai direto...

Avaliação Escolar

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Aula... ou espaço do nada?, por Janeta Pires*

Mais um dia de aula. E mais um dia em que a gritaria, o deboche, o desprezo e o desrespeito comandam o espetáculo denominado sala de aula. É a festa liderada por dois ou três alunos os soberanos das façanhas ousadas, os heróis corajosos que enfrentam as professoras com arrogância destemida, no cotidiano das aulas. Aos poucos, outros seguem o exemplo, entram no embalo e a confusão aumenta. A aula, aos poucos, confunde-se com um vazio sem nexo. Não é uma aula. Não é uma festa. Não é nada! É o desmando. A professora decide iniciar a aula, interfere – um bom-dia é dirigido aos alunos. Poucos ouvem e muitos ignoram. A seguir, a proposta da aula é comunicada. A maioria, entretanto, nem ouve. A professora se impõe e fala mais alto – para alguns é grito, desrespeito... É neste momento que os “líderes” agem com mais vibração. De forma descontraída, aos risos e gritos, circulam pela sala a pedir material emprestado, a segredar assuntos e a reclamar da professora, pois ela “grita com eles”... Na ...

Puta, eu?

Lembro de um dia em que minha mãe passou pimenta na minha língua. Naquele dia eu tinha aprendido uma palavra nova. Na verdade um palavrão. Meu pai quando soube ficou puto. Mandou-me procurar no “pai dos burros” o significado daquela palavra. Para nossa supressa ela não estava lá. Imaginei que por ser tão terrível, o responsável pelo dicionário teve vergonha de colocar tal palavra ali. Os tempos mudaram. E os significados também. Lá no começo, na etimologia da palavra, puta era uma deusa da agricultura e suas sarcedotisas a celebravam em um bacanal sagrado. Depois puta virou puta mesmo, como naquela época em que mãe colocava pimenta na língua dos filhos. Hoje qualquer um que passe meia hora com um bando de adolescentes vai ouvir essa palavra em 5 de cada 10 cuspidas de suas bocas e mais outros 4 impropérios. Mas a coisa não é tão ruim assim. Outro dia um aluno disse que eu dei uma puta aula. Que elogio! Uma puta aula. Fiquei pensando naquilo. Era uma aula em escola pública, então o alu...

Leitura recomendada

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Eu sou um imbecil, por José Hildebrand Dacanal* Meu genro era um pobre coitado. Como eu, nascido na roça e sem perspectivas de futuro. Mas eu tivera a sorte de estudar nos antigos seminários da antiga Igreja Católica, e de lá saíra conhecendo oito línguas. Ele não, mesmo porque os seminários e a Igreja daquela época já tinham acabado duas ou três décadas antes dele nascer. Uma coisa, porém, nos unia: a curiosidade intelectual e a ambição de subir na vida. É o suficiente, desde que trilhando o reto caminho, como diria São Paulo. Quando ele apareceu, trazendo consigo não muito mais que seu bom caráter e a pouca idade, percebi imediatamente que ele era mais uma das incontáveis vítimas que, independentemente do nível econômico e da classe social, formam o desastre civilizatório brasileiro das últimas quatro décadas: 100 milhões de bárbaros, desagregação moral e caos pedagógico. E 60 mil mortos a bala por ano! Seguindo o velho viés de ordenar o mundo à minha volta e disto tirar as vantagen...