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A corrida

Trilha musical sugerida para ler esse texto: Samuel Osborne Barber - Adagio For Strings O treino tinha sido puxado. Duro e longo. Praticamente Olavo não se lembrava de quando não havia treinado na sua vida. “Talvez quando bebê” pensou. “Só se fosse antes do médico bater na minha bunda” ironizou consigo mesmo. Olavo estava preparado. Uma vida inteira treinando para aquele momento. Ele lembrou da época da escola, como todos corriam e ele sempre ia à frente. Sempre chegava entre os primeiros, e isso o frustrava e estimulava ao mesmo tempo. Tinha de correr sempre mais, mais rápido, mais forte, melhor. Agora era o melhor e havia chegado o momento de provar isso. Havia se preparado da melhor forma, com o melhor técnico, tinha o melhor equipamento, o melhor tênis, a melhor estratégia. Tinha certeza de que ganharia. Custasse o que custou. Valeram a pena os anos de investimento. Havia se tornado um ser único, ninguém era igual a ele. Ninguém poderia ser melhor que ele. Olavo s...

O MENINO QUE CARREGAVA ÁGUA NA PENEIRA

Durante o Sarau do grupo Rua dos Cataventos, em 22 de abril, Montengro, Pedro Sthil leu esse texto maravilhoso sobre um menino cheio de despropósitos. Depois ele veio sentar-se ao meu lado (para minha sorte) e eu o parabenizei pela apresentação e pelo texto escolhido. Ele muito simpático me deu o texto!!!! Então quero compartilhar com vocês... MENINO QUE CARREGAVA ÁGUA NA PENEIRA Tenho um livro sobre águas e meninos. Gostei mais de um menino que carregava água na peneira. A mãe disse que carregar água na peneira era o mesmo que roubar um vento e sair correndo com ele para mostrar aos irmãos. A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água O mesmo que criar peixes no bolso. O menino era ligado em despropósitos. Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos. A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do que do cheio. Falava que os vazios são maiores e até infinitos. Com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito porque gostava de carregar água na peneira Com o ...

Pequenos grandes limites

Esse conto foi produzido na Oficina de Criação Literária do escritor montenegrino Oscar Bessi Filho. È resultado de uma história de leituras e uma certa tensão em acabar no prazo da oficina. O final não é original, mas é lindo! Pode ate ser desculpa, mas contos é uma seara que estou aprendendo a cultivar! Pequenos grandes limites Jorge suava. Ele não acreditava que estava naquela situação. Logo ele, que morria de medo de altura. E tudo isso por causa de Aline. Aline tinha chegado na cidade há uma semana. Tinha vindo da capital. Linda. Ela parecia com aquelas meninas das revistas que ele via no escritório da firma. E ela sabia que era linda. Logo que chegou na cidade causou comoção entre os rapazes dali. Jorge também não ficou imune a beleza de Aline. Apaixonou-se logo que a viu descendo do carro em frente a casa em que ficaria na cidade. Todos os dias no percurso para a firma, e durante o expediente, ele passava em frente a casa dela. Procurando por um vislumbre qual...

Educação Física: objeto de estudo e importância no desenvolvimento humano

Educação Física: objeto de estudo e importância no desenvolvimento humano Edilson Ferreira Gonçalves - PEI/UNISINOS A área da Educação Física e seus objetos de estudo vêm sendo analisados por diversos autores nas últimas décadas. Segundo Bracht (1996) o ”objeto“ da Educação Física, ou seja, sua especificidade, é fundamentalmente a prática pedagógica. Gamboa, citado por Bracht (1996) entende que “a Educação Física, assim como a Pedagogia, estariam situadas em novos campos epistemológicos , cuja característica especifica seria exatamente a dimensão da ação (intervenção)”, para esse autor, a “EF seria então, uma ciência da e para ação”. O objeto da EF é um saber específico, uma tarefa pedagógica específica, cujo processo de ensino/aprendizagem é atribuído a esse espaço pedagógico: a Educação Física. As várias denominações que surgiram ao longo do tempo para identificar o objeto de estudo da Educação Física, como ciência que trata da aptidão física, dos exercícios f...

Mulheres (Vito Cesar)

Mulheres serenas, promessas de nada. mulheres de vento, de sopro divino, mulheres de sonho, mulheres sentido, mulheres da vida, melhor ter vivido... Mulheres de tempo, em que tudo que havia fazia sentido, mulheres que eu vejo, no sol de janeiro, mulheres saídas de potes de vidro, mulheres faceiras, as mais feiticeiras, melhor ter sorrido... mulheres de tantos e tantos perigos, mulheres de vinho e de vã harmonia, mulheres convívio, mulheres no cio, as mais parideiras, melhor ter nascido... mulheres de luzes e de absinto, mulheres que um dia sonhei colorido, mulheres de santos, mulheres de igrejas, as mais rezadeiras, melhor sacrifício mulheres que um dia deitaram comigo, mulheres tão lindas e de maior juízo, mulheres de danças, as tranças nos ombros, meus olhos caídos.... mulheres que fecham a vã poesia, mulheres que o ouro não tem nem princípio, mulheres de outono, o seu abandono, melhor ter carinho... mulheres de um tempo em que estive sozinho, mulheres de riso abrindo janelas, mulher...

É brincando que se aprende

Em homenagem ao Dia das Crianças. É brincando que se aprende Rubem Alves No meu tempo parte da alegria de brincar estava na alegria de construir o brinquedo. Fiz caminhõezinhos, carros de rolemã, caleidoscópios, periscópios, aviões, canhões de bambu, corrupios, arcos e flechas, cataventos, instrumentos musicais, um telégrafo, telefones, um projetor de cinema com caixa de sapato e lente feita com lâmpada cheia d’água, pernas de pau, balanços, gangorras, matracas de caixas de fósforo, papagaios, artefatos detonadores de cabeças de pau de fósforo, estilingues. Fazendo estilingues desenvolvi as virtudes necessárias à pesquisa: só se conseguia uma forquilha perfeita de jaboticabeira depois de longa pesquisa. Pesquisava forquilhas - as mesmas que inspiraram Salvador Dali - exercendo minhas funções de “controle de qualidade” - arte que alguns anunciam como nova mas que existiu desde a criação do mundo: Deus ia fazendo, testando e dizendo, alegre, que tinha ficado muito bom. Eu ia comparando a...

Paradigma do Desenvolvimento Humano

Até o final da década de 80, o avanço de uma população era medido pela sua dimensão econômica através do PIB (Produto Interno Bruto) per capita, ou seja, todas as riquezas produzidas por essa população (em valores financeiros) dividido pelo número de pessoas dessa população. O que se obtém nessa divisão é um valor médio, supostamente atribuído a uma qualidade de vida individual da população. Por exemplo, o PIB per capita do Brasil em 2003 era de R$ 8.694,00 , o que corresponde à renda individual de cada brasileiro naquele ano. A partir de 1990 a elaboração do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) faz um contraponto ao PIB. Além do PIB per capita, o IDH leva em consideração a longevidade e a educação de uma população. A ampliação do conceito de desenvolvimento humano para além do puramente econômico abrangendo agora as dimensões sociais, culturais e políticas que influenciam a qualidade de vida humana é o que caracteriza essa nova abordagem de medida do desenvolvimento e a que chamamo...