O dia seguinte
No dia seguinte, sentados à mesa do café, não trocaram cumprimentos. Estavam surdos e mudos. Viam com certeza, um ao outro, mas não queriam se falar. A noite começou como uma promessa de felicidade. As esperanças e as fantasias borbulhavam com o pôr do sol e cresciam exponencialmente com a noite. As luzes davam as coisas da cidade ares de virtualidade. A ilusão estava presente em todas as esquinas. O cinza do dia ganhava novas e várias cores elétricas. As vitrines refletiam a fantasia do momento. Tudo era cor e esperança. As pessoas naquele lugar tinham cores bonitas. Sorrisos, peles, cabelos, roupas. Cores matizadas. Tudo. Fantasticamente acolhedor e excitante. E sons alucinantes. Delírio dos sentidos. O melhor lugar para estar naquele momento era ali. E eles estavam. Com seus corpos produzidos, criados pelas exigências da sociedade, guiados pelas revistas da moda. Prontos e bonitos. Sorrisos, olhares, carícias, sedução! O melhor lugar para se estar. Prazeres da noite. A conqu...